Lançamento do Anuário ABDRONE 2026 revela crescimento superior a 460% desde 2017 e consolida o setor como vetor estratégico da economia digital.
O mercado brasileiro de drones alcançou 133 mil aeronaves registradas no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT), da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), até fevereiro de 2026. O número reforça a consolidação do segmento como um dos mais dinâmicos da economia digital e dos serviços tecnológicos no país.
O crescimento ocorre dentro de um ambiente regulatório estruturado desde 2017, quando entrou em vigor o regulamento que instituiu o cadastro obrigatório e organizou juridicamente as operações civis de drones no Brasil. Naquele ano, o país registrava cerca de 16,5 mil drones. Em 2022, o volume já havia saltado para 93.729 registros — uma expansão superior a 460% em cinco anos.
A evolução recente confirma a continuidade do ciclo de expansão. Entre 2024 e 2025, o número de drones cadastrados cresceu acima de 20% ao ano, enquanto os pedidos de autorização de voo avançaram mais de 25% no mesmo período. O dado sinaliza aumento não apenas da base instalada, mas também da intensidade operacional.
Principais indicadores do setor
- 133 mil drones registrados (fev/2026)
- 93.729 registros em 2022
- 52.906 recreativos
- 40.823 profissionais
- 52.906 recreativos
- Crescimento acumulado superior a 460% entre 2017 e 2022
- Alta acima de 20% ao ano nos registros (2024–2025)
- Crescimento superior a 25% nos pedidos de voo no mesmo período
- Importações cresceram 24,1% em valor e mais de 115% em unidades em 2024
A composição do mercado também mudou ao longo da década. Em 2022, os drones de uso profissional já representavam cerca de 44% do total registrado, refletindo o avanço de aplicações empresariais e governamentais. O setor deixou de ser predominantemente recreativo para assumir papel relevante em cadeias produtivas intensivas em tecnologia.
Entre os segmentos que impulsionam a demanda estão o agronegócio — especialmente pulverização aérea e agricultura de precisão —, inspeções industriais, energia, infraestrutura, segurança pública, mapeamento técnico e produção audiovisual. O avanço também se conecta à digitalização de serviços públicos e à agenda de cidades inteligentes.
Do ponto de vista econômico, o crescimento do setor gera efeitos indiretos em cadeias como importação e distribuição de equipamentos, manutenção técnica, capacitação de operadores, desenvolvimento de softwares e integração com tecnologias como inteligência artificial e conectividade 5G. O aumento expressivo nas importações em 2024 reforça a expansão da demanda doméstica.
O ambiente regulatório é apontado como fator-chave para a formalização e atração de investimentos. O modelo brasileiro opera com divisão de competências entre órgãos responsáveis por registro, controle do espaço aéreo, homologação de equipamentos e regulação agrícola, criando segurança jurídica para empresas e operadores.
Em 2025, foi aberta consulta pública para atualização do marco regulatório, propondo uma abordagem baseada em risco operacional e desempenho, alinhada às práticas internacionais. A mudança é vista como mais um passo na maturidade institucional do setor.
Para Pedro Curcio Jr., presidente da ABDRONE (Associação Brasileira das Empresas de Drones), o avanço indica consolidação econômica. “O mercado brasileiro atingiu um estágio estrutural. Hoje falamos de uma base instalada robusta, operações cada vez mais profissionais e segurança jurídica para expansão de investimentos. Os drones passaram a integrar a infraestrutura tecnológica de diversos setores produtivos, precisamos seguir a crescer, agora com atenção governamental com redução do impostos de importação, aumento ao fomento as startups do drone, maior fiscalização dos órgãos reguladores e principalmente unidade entre o poder executivo, legislativo e judiciário, o drone e multifacetado e com várias possibilidades de uso e serviços”, afirma.
Segundo ele, o próximo ciclo de crescimento deve ser impulsionado por ganhos de produtividade, redução de custos operacionais e maior integração com tecnologias digitais. “Estamos diante de um segmento que combina inovação, eficiência econômica e geração de empregos qualificados. A consolidação regulatória cria as condições para um novo ciclo de expansão empresarial”, conclui.